Papel dos Pais no Processo de Orientação

Uma edição da Direção Geral de Educação, Ministério da Educação e Ciência
Concepção – Instituto de Orientação Profissional, Universidade de Lisboa
Coordenação e Revisão Técnica – Direção de Serviços de Educação Especial e de Apoios Socioeducativos da Direção Geral de Educação.

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Breve História da Orientação Profissional

Por Edelson Soler

Orientação Vocacional é muito mais do que a simples aplicação de testes vocacionais. É, sim, um poderoso auxílio para a construção da vida. É fundamental na adolescência, especialmente quando vai se aproximando a época de escolher a futura profissão ou faculdade. Mas pode ser também importante em outros períodos, quando se quer ou se precisa reorientar a carreira e é necessário avaliar a própria vida para fazer os reajustes necessários. Pode ser importante inclusive na época da aposentadoria.

Breve histórico

Existem registros de formas de orientação profissional desde o período medieval, ligadas especialmente à relação entre mestres e aprendizes. No entanto, foi a partir do surgimento do Capitalismo Ocidental, e especialmente após a Revolução Industrial, que se desenvolveram as primeiras concepções de Orientação Vocacional e Profissional tais como as entendemos hoje. Só com o desenvolvimento capitalista é que surgiram as noções de emprego, salário e carreira profissional.

Os teóricos e historiadores da área atribuem a Frank Parsons (1854-1908), o papel de pioneiro da Orientação Vocacional, e seu livro Choosing a Vocation, publicado em 1909, após a sua morte, é considerado o marco inicial da Orientação Vocacional contemporânea. Parsons foi um engenheiro norte-americano ligado à luta pelos direitos humanos e a ideais progressistas. Para ele, a escolha profissional era fundamental para a promoção humana e social.

Parsons concebia a Orientação como uma tentativa de descobrir as capacidades individuais, comparando-as com as exigências das várias profissões. Para tanto, Parsons aplicava alguns testes com o objetivo de encontrar a melhor combinação entre as aptidões, habilidades e interesses do indivíduo e as profissões existentes. Sua meta era ter “o homem certo no lugar certo”.

A Orientação Vocacional foi, por muito tempo, uma prática bastante diretiva, na qual o orientador fazia diagnósticos e prognósticos, com base nos quais indicava ao orientando as profissões adequadas. Em meados do século XX, houve um grande desenvolvimento dos testes de inteligência, interesse, aptidão e personalidade, que acabaram sendo grandemente utilizados também na prática da Orientação Vocacional.

Essa orientação começou a mudar com a publicação dos trabalhos de vários autores, entre os quais se destaca o de Carl Rogers (1902-1987), que propunha uma abordagem não diretiva nas práticas terapêuticas. Sua visão influenciou a postura dos profissionais da Psicologia e da Educação, que passaram a valorizar a participação do aluno, paciente ou orientando no seu aprendizado e suas escolhas. No terreno da Orientação Vocacional, as escolhas passaram a ser uma atribuição do indivíduo que, com a ajuda do orientador, vai configurando seu projeto de vida.

Outro expoente na teorização sobre a Orientação Vocacional foi Donald Super, que definiu a escolha profissional como um processo que ocorre ao longo da vida, passando por uma evolução em vários estágios. Fala-se agora não mais em simples adequação entre o indivíduo e a profissão, mas em “desenvolvimento vocacional”. Várias escolhas são feitas pelo sujeito ao longo da existência, algumas das quais podem até mesmo contrariar escolhas anteriores. Para Super, as definições vocacionais se faziam desde a infância até a juventude. Atualmente, pensa-se nas escolhas e re-escolhas, ao longo de toda a existência.

O psicólogo norte-americano John Holland (1919-2008) também contribuiu para a prática da Orientação Vocacional ao publicar a sua teoria tipológica, segundo a qual os interesses são reflexos da personalidade do indivíduo. Holland descreveu seis tipos de personalidade que determinam a direção da escolha profissional: realista, intelectual, artístico, social, empreendedor e convencional (“RIASEC”).
Outro teórico bastante importante para a Orientação Vocacional, especialmente a praticada no Brasil, foi o psicólogo argentino Rudolf Bohoslavsky, que desenvolveu o método clínico de Orientação.

Algumas outras correntes teóricas também contribuem atualmente para o aprimoramento da atividade de Orientação, entre as quais merecem destaque a vertente “sócio histórica”, a abordagem “sociocognitiva” e a de “educação para a carreira”, além das práticas de mentoring e coaching.

Atualmente, os profissionais de Orientação Vocacional ou Profissional têm clareza de que devem auxiliar nas escolhas maduras e autônomas, que só podem ser feitas após um significativo processo de autoconhecimento, de aquisição de informações precisas e de reflexão sobre as profissões, os cursos universitários e/ou técnicos, o mundo do trabalho e a realidade social.

(Retirado de http://orientacaoprofissional.org/historia.html)

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